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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

OSCAR 2017 - PREVISÃO FINAL

MELHOR FILME

VAI VENCER: La La Land – Cantando Estações
MOTIVO: Ode ao cinema, passa-se em Los Angeles, igualou o recorde de indicações de Titanic e A Malvada, e ganhou todos os prêmios até aqui. Precisa dizer mais alguma coisa?

MEU PREFERIDO: Nesta categoria, faz-se um ranking ao invés de votar em apenas um. 


Eis a minha preferência:

  1.           La La Land – Cantando Estações
  2.          Lion – Uma Jornada para Casa
  3.           Até o Último Homem
  4.          Manchester à Beira Mar
  5.          Moonlight – Sob a Luz do Luar
  6.          A Qualquer Custo
  7.          A Chegada
  8.          Estrelas além do Tempo

MELHOR DIRETOR

VAI VENCER: Damien Chazelle (La La Land – Cantando Estações)

MOTIVO: Um jovem diretor em plena ascensão, fez um filme que todos amam, e venceu todos os prêmios.

MEU PREFERIDO: Damien Chazelle


MELHOR ATOR

VAI VENCER: Eita dúvida cruel. Quem será? Enfim, vamos de Casey Affleck (Manchester à Beira Mar)

MOTIVO: É até difícil explicar. O irmão do Ben Afleck venceu Globo de Ouro, Critics Choice e BAFTA, mas tem uma vida pessoal conturbada e nada bem vista; enquanto Denzel Washington (Um Abismo entre Nós) levou o SAG, que tem até mais peso nas decisões do Oscar. Não ficarei nada surpreso se este último vencer e chegar a marca de 3 estatuetas douradas, mas quero crer que Casey está um pouquinho (só um pouquinho) a frente.

MEU PREFERIDO: Mantenho a minha cruel dúvida, mas não apenas entre Casey e Denzel. Eu coloco Andrew Garfield (Até o Último Homem) nessa parada também. Por mim, esses três dividiriam esse prêmio.


MELHOR ATRIZ

VAI VENCER: Emma Stone... Isabelle Huppert... ok ok vamos de Emma Stone (La La Land – Cantando Estações)
MOTIVO: Venceu Globo de Ouro, SAG e BAFTA, e faz parte do seleto grupo de jovens atrizes que a Academia adora celebrar. Isabelle Huppert (Elle) se mudou para os Estados Unidos, tem feito uma gigantesca campanha, mas parece que não será suficiente.
MINHA PREFERIDA: Natalie Portman (Jackie), mas há um belo lugar em meu coração para Emma Stone e Isabelle Huppert
MENOS MERECE: Ruth Negga (Loving), mas foi bom vê-la recebendo uma indicação e tomara que isso impulsione sua carreira

MELHOR ATOR COADJUVANTE

VAI VENCER: Mahershala Ali (Moonlight – Sob a Luz do Luar)
MOTIVO: Sua caminhada rumo ao ouro tem sido bem menos tranquila que o esperado. Ganhou SAG e Critics, mas foi barrado no Globo de Ouro e no BAFTA. Mesmo assim, no sufoco, deve ficar com o Oscar.
MEU PREFERIDO: Dev Patel (Lion – Uma Jornada para Casa). Ele é um ator que eu detesto, mas está muito eficiente nesse comovente drama, apesar de eu considerá-lo o protagonista da história, e não secundário.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

VAI VENCER: Viola Davis (Um Abismo entre Nós)
MOTIVO: Rainha da TV, rainha do teatro, e muito amada no cinema, tendo essa oportunidade de finalmente ser agraciada com um Oscar. Ganhou todos os prêmios até aqui.
MINHA PREFERIDA: Nicole Kidman (Lion – Uma Jornada para Casa). O seu poderio dramático me devastou. Mesmo assim vibrarei bastante, caso Viola vença.
MENOS MERECE: Octavia Spencer (Estrelas além do Tempo), que nem faz uma atuação boa. Indicação inacreditável.



MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

VAI VENCER: Manchester à Beira Mar
MEU PREFERIDO: La La Land – Cantando Estações

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

VAI VENCER: Moonlight – Sob a Luz do Luar
MEU PREFERIDO: Qualquer um dos cinco, exceto Estrelas Além do Tempo
MELHOR ANIMAÇÃO:

VAI VENCER: Zootopia – Essa Cidade é o Bicho
MINHA PREFERIDA: Zootopia – Essa Cidade é o Bicho

MELHOR FOTOGRAFIA

VAI VENCER: La La Land – Cantando Estações
MINHA PREFERIDA: La La Land – Cantando Estações

MELHOR FIGURINO

VAI VENCER: Jackie
MEU PREFERIDO: Jackie

MELHOR MONTAGEM

VAI VENCER: La La Land – Cantando Estações
MINHA PREFERIDA: La La Land – Cantando Estações

MELHOR MAQUIAGEM

VAI VENCER: Star Trek – Sem Fronteiras
MINHA PREFERIDA: Esquadrão Suicida

MELHOR TRILHA SONORA

VAI VENCER: La La Land – Cantando Estações
MINHA PREFERIDA: La La Land – Cantando Estações, mas fiquei encantado com as trilhas de Jackie e Lion – Uma Jornada para Casa
MENOS MERECE: Passageiros

MELHOR CANÇÃO

VAI VENCER: “City of Stars”, de La La Land – Cantando Estações
MINHA PREFERIDA: “How Far I’ll Go”, de Moana – Um Mar de Aventuras

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO

VAI VENCER: La La Land – Cantando Estações
MEU PREFERIDO: Na ausência de Jackie e Florence – Quem é essa Mulher?, minha preferência vai para Animais Fantásticos e Onde Habitam

MELHOR EDIÇÃO DE SOM

VAI VENCER: Até o Último Homem
MINHA PREFERIDA: Até o Último Homem

MELHOR EFEITOS SONOROS

VAI VENCER: La La Land – Cantando Estações
MEU PREFERIDO: La La Land – Cantando Estações

MELHOR EFEITOS VISUAIS

VAI VENCER: Mogli – O Menino Lobo
MEU PREFERIDO: Doutor Estranho, pela ousadia e criatividade
MENOS MERECE: Kubo e as Cordas Mágicas foi apelação demais

As próximas categorias constam apenas com a minha aposta sobre quem vai vencer. Não opinarei sobre o meu favorito, pois não vi todos os indicados.

DOCUMENTÁRIO: O. J. Made In America
DOCUMENTÁRIO/CURTA: The White Helmets
FILME ESTRANGEIRO: Tony Ederman (Alemanha)
ANIMAÇÃO/CURTA: Piper
CURTA METRAGEM: Ennemis Interieurs

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

LION - UMA JORNADA PARA CASA


LION - UMA JORNADA PARA CASA
DIREÇÃO: Garth Davis
ELENCO: Dev Patel, Nicole Kidman e Sunny Pawar


O jovem Saroo, com apenas cinco anos de idade, tragicamente se perde de seu irmão em uma estação de trem, em Calcutá (Índia). Assim, amparado ou desamparado, se vê em situações delicadas, até que consegue ser adotado por uma família australiana. Ao completar 25 anos, sem perder as esperanças, não se limita em recuperar o seu passado e reencontrar a sua família biológica, mesmo a milhares de quilômetros de distância.


Evidente que o clássico nunca deve ser aposentado, principalmente se tratando de arte, mas dar uma nova dimensão aquilo que já conhecemos é bem mais que concebível, por isso não é com maus olhos que devemos ver o retratar da Índia, sustentando uma trama na parte moderna do país. Mesmo assim, para tal mudança na forma de vermos o lugar, há ainda fatores no mínimo esquisitos que causam algum desconforto. Exemplo: um filme ter um jovem dessa nação como protagonista, e o mesmo ser interpretado por Dev Patel, é a mesma coisa de ser elaborada uma história de amor de um casal maduro passada na Espanha, e escalar Penélope Cruz e Javier Bardem para tal. Escolha óbvia, onde nos questionamos se não haviam outras opções. Além disso, há o fato de focalizar a vida de uma criança pobre, e vermos serem desenvolvidas passagens em torno do trabalho infantil e o tráfico humano. Será que a Índia só vive disso? 

Lion – Uma Jornada para Casa não foge de jeito nenhum dessas características, mas este trabalho inicial do jovem cineasta Garth Davis, tem em mente que a maneira como desenvolvê-las pode se sobressair a todos esses novos clichês que assolam o país asiático. Felizmente, o filme é maior que elementos que poderiam diminuí-lo. O gigantesco carisma do garoto Sunny Pawar já é suficiente para mostrar que aquele personagem principal não é um ser qualquer e não só nos prende, como nos convida a viver aquela aventura com ele. Só a maneira como ele chama “Guddu” é de uma inocência tão bela, que dificilmente tiramos essa palavra da mente.

Focalizando os desafios de uma criança perdida, que inevitavelmente vive nas ruas e se depara com tráfico humano, a obra desafia o espectador a se conter diante das situações em que o Saroo se depara, e os cortes e os planos utilizados não são suficientes para nos exibir se ele tem como escapar do mal que o persegue, e assim Lion – Uma Jornada para Casa usa e abusa da astúcia do garoto, que outrora parece ingênua, mas no momento desperta a esperteza para seguir em frente. Sendo assim, ele transforma-se em um trunfo por si só. A interpretação de Pawar, que roubou a cena na festa do Globo de Ouro, encarna com perfeição e doçura cada nuance da vida do menino, que define ao extremo o elo entre o público e a história, que nos transborda um certo alívio ao vê-lo sendo educado, para consequentemente ser adotado pela família australiana.

Acontece que, como foi muito bem difundido mundo afora, Lion – Uma Jornada para Casa é “dois filmes em um”: um sobre a infância e outro sobre a fase adulta do Saroo, sendo que o primeiro é bem mais interessante. O crescimento do personagem e o estabilizar da trama na Austrália, exibe uma trajetória normal de um jovem que visa adentrar na vida profissional, chegando a mostrar alguns desvios de caráter no mesmo, como na cena de sua briga com o irmão adotivo e em alguns tratamentos com a namorada (vivida por Rooney Mara). Pelo menos, essa segunda parte não se torna desinteressante pelo teor emotivo que vem criando, e isso está diretamente ligado a espetacular atuação de Nicole Kidman, que eu colocaria facilmente entre as cinco melhores de sua carreira. Em olhares e gestos de doçura, ela assume o papel de mãe, no sentido mais moral da palavra, em posturas de carinho, amparo e felicidade. Em meio as adversidades de se ter um filho, seu semblante ganha tons enigmáticos, e nos perguntamos como ela irá agir diante de certas situações. Algumas de suas reações não são aquelas que esperamos, mas o desenrolar da história justifica o mesmo, e nos contempla com o ar de uma mulher que sofre com o sofrimento de seus entes, e no momento em que ela explica o motivo de não ter tido filhos biológicos, nos esquecemos de que ali se trata de uma atuação, e choramos junto a ela e nos devastamos por aquela mulher, que não seria interpretada de melhor maneira por qualquer outra atriz.

Tendo o seu desfecho com a resposta às perguntas dramáticas que todos se fizeram, Lion – Uma Jornada para Casa ratifica a competente atuação de Dev Patel, desmistificando a questão dele ser uma escolha óbvia, e em meio a uma grande realização final, entrega diversos finais, alguns felizes e outros não, mas o que pode ser sacramentada é uma mescla de compaixão e esperança no coração de todos ali envolvidos, proporcionando ao espectador uma experiência em que ele deixa a emoção tomar conta de si.