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quarta-feira, 30 de março de 2016

BATMAN vs SUPERMAN: A ORIGEM DA JUSTIÇA



BATMAN vs SUPERMAN: A ORIGEM DA JUSTIÇA
DIREÇÃO: Zack Snyder
ELENCO: Henry Cavill, Ben Affleck, Gal Gadot, Ezra Miller, Amy Adams, Jesse Eisenberg, Michael Shannon, Jeremy Irons, Holly Hunter e Laurence Fishburne


A sociedade já se mostra adaptada a viver amparada por super-heróis com poderes paranormais. A questão é que se mais de um deles estão à disposição de todos, deve ser questionado de quem realmente se precisa e até que ponto eles são úteis. Forma-se assim a guerra entre o Superman (Henry Cavill) e o Batman (Ben Affleck). Enquanto a inimizade entre os dois cresce, uma nova e real ameaça ao planeta aparece, e o perigo ronda toda a humanidade.


Qualquer obra que envolva super-heróis e que tem versão cinematográfica anunciada, desperta uma grande euforia e ansiedade nos fãs dos personagens e muita curiosidade nos demais. Isso tem sido algo mais que constante na sétima arte, nos últimos anos. Batman vs Superman: A Origem da Justiça jamais seria uma exceção e ninguém pode se surpreender com a estrondosa bilheteria do primeiro final de semana de exibição, que, por sinal, já trouxe as primeiras análises da obra, sendo todas elas negativas.

Diante de tudo isso, até eu que inacreditavelmente me animei para assistir este filme, não posso negar que talvez tenhamos sido hipócritas demais a acreditar que seria entregue uma boa película. Até mesmo porque uma produção que coloca os dois mais famosos super-heróis juntos e duelando entre si, na verdade deveria receber era desconfiança. Até que ponto algo assim poderia dar certo, ainda mais trazendo a Mulher Maravilha como coadjuvante? Uma maneira no mínimo falha e sem noção de trazer um aperitivo da Liga da Justiça e fazendo o Universo DC mostrar que pode tranquilamente ter sua própria versão d’Os Vingadores. Acontece que o estúdio mostrou que está anos-luz atrás da Marvel, inclusive em quantidade, então imagina no campo qualitativo. Estes fatos só mostram que mesmo com os experts em quadrinhos sempre defendendo que os heróis deste são mais dignos e poderosos, o cinema e a atualidade nos levam a crer que é melhor darmos nosso ibope para o Homem-Aranha, o Hulk, o Homem de Ferro, Capitão América e por aí vai... E olha que filmes com estes últimos nem são sinônimo de grandes obras, o que só denota o quão trágico foi Batman vs Superman: A Origem da Justiça.

A inserção do Homem-Morcego na trama já trouxe aquela insuportável introdução que trabalha a morte dos pais do Bruce Wayne e o sentimento pessoal do ser e o tormento que o leva a crer que é culpado da perda dos genitores. Tudo isso sem acrescentar absolutamente nada ao filme em questão. Enquanto este herói teve um princípio explicado (pelo menos essa foi a intenção), o Homem de Aço já aparece “caindo de paraquedas” no filme, denotando assim que o diretor Zack Snyder e os roteiristas Chris Terrio e David S. Goyer não tiveram o mínimo compromisso com o equilíbrio na transposição dos fatos.

Desde o início, Batman vs Superman: A Origem da Justiça é um show de complexidade mal concebida, numa trama desinteressante e sem explicações óbvias, propondo um cansaço nato, que, por sinal, em nada se difere dos filmes do Superman, desde o início do século XXI, que são simplesmente horríveis, diferente da histórica trilogia que Christopher Nolan fez para o Homem-Morcego, com o excelentes Batman Begins, O Cavaleiro das Trevas e O Cavaleiro das Trevas Ressurge.

Sobre o Batman, é criado nele um antagonismo sem noção, onde atos malevolentes são trabalhados como se fossem realmente da natureza de Bruce Wayne e como se o ato de fazer o bem não estivesse nos planos dele. Já o Superman é apresentado sendo criticado e vítima de um golpe pela sociedade em que vive, sendo que o espectador está bem ciente sobre o quão injustiçado ele está sendo, porém de maneira artificial, mas não pela visão do povo e sim pelo péssimo roteiro da trama. Logo, fica muito bem claro que Batman vs Superman: A Origem da Justiça, revoltantemente, compra a briga por um dos lados, sendo ele bastante oco na obra, causando, por instantes, uma ferida em toda a história dos dois mais populares super-heróis, que, por sinal, estão bastante rebaixados e não fazia sentido eles serem capazes de derrubar o poderio vilanesco de Lex Luthor. E sobre a presença da Mulher Maravilha na película, é melhor esperarmos que ela tenha um filme próprio.

Assim que foi anunciado como novo intérprete do Homem-Morcego, substituindo Christian Bale, Ben Affleck foi muito criticado. Convenhamos que não trata-se de um grande ator. Mas o curioso é que ele, desde então, tem entregue grandes trabalhos como diretor e boas atuações em Argo e Garota Exemplar, que chegamos ao ponto lhe dar um voto de confiança. Mas a palavra que melhor pode conceituar sua performance como Batman é “incômodo”, onde até parece que o próprio profissional estava ciente do quão equivocado foi aceitar esse papel, que não funcionou em hipótese alguma.

Interpretando o Super-Homem pela segunda vez, Henry Cavill volta a transformá-lo em um ser desinteressante, insosso e com questionável poderio para alguém tão sem expressão. Acontece que ele, na vida real, tem cara de ser tão gente fina, que dá até pena de vê-lo ser tão fraco como ator. No mais, não se deve criticar as atuações de Amy Adams, Jesse Eisenberg, Holly Hunter, Jeremy Irons, Diane Lane e Laurence Fishburne, mas nem precisava eles se prestarem a mostrar algo bom, em performances que ninguém irá lembrar.

Sem justificativa para tamanha falta de noção na concepção da obra, Batman vs Superman: A Origem da Justiça liga um sinal de alerta na DC, que mostras os riscos que existem na transposição de seus heróis para as telonas. E este fraco filme, num ano que ainda tem uma guerra civil e um esquadrão suicida pela frente, só não cairá no esquecimento porque sua precariedade é tão forte, que faz dele presença garantida na lista de piores de 2016.


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